Moacyr Scliar
Biografia de Moacyr Scliar
Moacyr Scliar (1937-2011) foi um escritor e médico brasileiro. Contista, cronista e romancista; o gaúcho publicou mais de setenta livros, dentre eles marcos da ficção moderna, como "O Centauro no Jardim".
Moacyr Jaime Scliar nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no dia 23 de março de 1937. Filho de judeus russos, José e Sara Scliar, que imigraram para o Brasil em 1904, passou sua infância no Bom Fim, tradicional bairro judaico de Porto Alegre.
Moacyr Scliar foi alfabetizado por sua mãe e em 1943, com seis anos, ingressou na Escola de Educação e Cultura, conhecida como Colégio Iídiche, onde sua mãe lecionava. Em 1948, foi transferido para o Colégio Marista Rosário onde concluiu o Ensino Médio.
Carreira Literária: um escritor em migração
Em 1962, no último ano da faculdade, Moacyr Scliar publicou “Histórias de Médico em Formação”, contos baseados em suas experiências como estudante. Mas só em 1968 publicou “O Carnaval dos Animais”, livro que ele considerou de fato sua primeira obra.
Paralelamente à carreira de médico, Scliar escreveu também para a imprensa. Foi durante 15 anos colunista do jornal Zero Hora, onde discorria sobre medicina, literatura e fatos do cotidiano. Colaborou também com a Folha de S. Paulo, assinando uma coluna no caderno “Cotidiano”.
Scliar foi a grande voz judaica da literatura nacional. Em seu primeiro romance (1972), “A Guerra no Bom Fim”, Scliar trata dos efeitos da Segunda Guerra Mundial sobre o bairro judaico de Porto Alegre.
Suas obras, além de abordarem temas sobre a imigração judaica no Brasil, tratam, também, de temas como o socialismo, a vida da classe média, a medicina entre outros assuntos. (Podemos pensar no Brasil dos Imigrantes, nas migrações internas e externas).
O Brasil é uma mistura de culturas advindas da migração. Muitas cidades tem comunidades de imigrantes. Moacyr Scliar não era religioso, mas um grande estudioso da Bíblia, como demonstrou nos livros “Os Vendilhões do Tempo” e “A Mulher que Escreveu a Bíblia”.
Viagens Literárias pelo Brasil (Obras)
O autor Moacyr Sciliar escreveu vários gêneros literários como: romance, contos, crônicas, ensaios e literatura infantojuvenil. Concluindo cerca de 70 livros publicados, dentre eles há os cinco mais famosos do autor: O Exército de um Homem Só, A Guerra no Bom Fim, O Centauro no Jardim, Max e os Felinos, A Mulher que escreveu a Bíblia.
Ele foi autor de importante influência, trazendo seu principal papel de lançar um olhar crítico sobre a sociedade, o meio político e cultural do país chamado: Brasil; que absorveu culturas de outras nações.
Um aspecto central e mais abordado pelo autor como uma forte crítica são as diferenças sociais. No romance, “O Exército de um Homem Só”, por exemplo, Scliar retrata a solidão e o isolamento de indivíduos que, em nome de ideais, acabam distantes da realidade concreta das pessoas. Já em “A Guerra no Bom Fim”, a narrativa evidencia como grandes conflitos internacionais repercutem no cotidiano de uma comunidade local.
Outro aspecto central é a reflexão sobre a identidade e a condição das minorias. Filho de imigrantes judeus, o autor aborda em obras como “A Estranha Nação de Rafael Mendes” e “O Centauro no Jardim” a questão do pertencimento e da exclusão por não serem nato-brasileiros, apresentando personagens que vivem à margem por não se enquadrarem nos padrões dessa nação. (Estar no Brasil sem ser Brasileiro, o Brasil das comunidades de imigrantes).
Diferentes pessoas em um só Brasil nas obras de Scliar
Valorização da diferença Em O Centauro no Jardim, o “ser diferente” (o centauro) simboliza todos os que não se encaixam nos padrões sociais; Reforça a necessidade de inclusão e de aceitação da diversidade cultural, étnica e pessoal. Consciência política e social Em O Exército de um Homem Só, mostra como a política sem ligação com a realidade não resolvem nada; Reforça a importância de políticas públicas reais e práticas, ligadas às necessidades concretas das pessoas.
Revisão das tradições religiosas e culturais
Em A Mulher que Escreveu a Bíblia, Scliar desconstrói narrativas tradicionais, chamando atenção para a necessidade de abrir espaço para diferentes vozes; Combate a exclusões históricas.
Isabelle Keury de Jesus Pereira
A minha experiência foi abrir a mente e ter uma visão crítica sobre o nosso país pelo olhar dos autores. Também ter a percepção de que o nosso país foi criado por uma diversidade de culturas, saberes e valores.